Todo tarde como de costume, ia até a praça para dar comida aos pombos e ver o por do sol que por maestria divina é lindo de se ver, e claro descarregar da minha mente todo o tumulto que havia passado durante o dia.
Em uma dessas tardes estando eu fazendo a mesma rotina que orgulho-me de fazer, uma moça pelo qual o nome não sei, de cabelos ruivos, pele clara, olhos castanhos, de bochechas rosadas e com sardinhas, sentou-se do outro lado da praça para admirar a paisagem. Desde então, todos os dias ela visitava a praça no mesmo horário, e como de costume levava junto ao seu peito abraçado por suas mãos um livro, no qual se quer abria para lê-lo.
A praça ganhou mais um atributo para mim visita-la todos os dias, pois, a beleza da jovem me cativou como nenhuma antes havia me cativado. Todas os dias ensaiava um trecho desses rotineiros para cumprimentar a moça, mas nunca a coragem era suficiente para proferir as palavras. O certo é, que, a paisagem não era mais o foco das minhas visitas ao parque, e sim a beleza da moça. Todos os dias quando eu chegava a moça já estava ali, sentada, no mesmo banco e com seu livro espremido no peito com um olhar cauteloso cheio de encanto olhando o que se acontecia ali na praça.
Pois bem, em uma sexta feira, acordei animado bem alegre e expressivo, logo pela manhã já me veio o pensamento, hoje irei cumprimentar a moça, pois bem fiquei o decorrer do dia ensaiando os meus argumentos, que confesso não são os melhores, para pelo menos tentar um dialogo com a moça. Cheguei do trabalho mais cedo, tomei meu banho e fui mais cedo para praça, para minha infelicidade a moça não foi até a praça neste dia. Não fiquei frustado pois acho que ainda não teria coragem de iniciar uma conversa. No final de semana a moça também não visitou a praça, comecei a me preocupar, na semana seguinte ela também não se fez presente, nem o restante do mês e nem os dias nos quais, todos, vou a praça para vê-la.
Não, eu não tive coragem, isso mesmo, coragem, para ouvir o tom da voz da moça, pois oportunidade eu tive varias e não soube aproveitar.